Riscos Adicionais em trabalhos com Eletricidade

Há uma série de Riscos Adicionais em trabalhos com Eletricidade. Estes são os riscos que não estão diretamente relacionados a energia elétrica.  Os trabalhadores ficam expostos ao realizarem trabalhos em altura, em ambientes confinados, em áreas classificadas e também em regiões de alta umidade e as condições atmosféricas em trabalhos externos.

Esse capítulo apresenta ao aluno esses riscos e as formas de evitar acidentes e a se proteger, além de descrever os equipamentos de proteção individual necessários. As informações desse módulo do curso são muito importantes, uma vez que a maioria dos acidentes, fatais ou não, estão relacionados aos riscos adicionais.

Altura
Equipamentos utilizados
Dispositivos complementares para trabalho em altura

Os riscos adicionais, citados na NR-10, são todos aqueles que não estão diretamente relacionados à eletricidade, mas ainda assim estão presentes, mesmo que nem sempre e nem todos ao mesmo tempo, nas atividades realizadas pelos profissionais da área. Os principais riscos adicionais aos quais estão sujeitos os trabalhadores que atuam em serviços e instalações em eletricidade são: altura; ambientes confinados; áreas classificadas e condições atmosféricas adversas.

Trabalhos em  Altura

De acordo com a NR-35, trabalho em altura é todo aquele executado acima de 2,00 m (dois metros) do nível inferior, onde há risco de queda.

A norma diz ainda que cabe ao empregador desenvolver procedimento operacional para as atividades rotineiras de trabalho em altura, assim como capacitar o trabalhador, em treinamento que deve ser realizado bienalmente ou quando se fizer necessário, de acordo o item 35.3.3 da mesma norma.

Ao empregado cabe cumprir as determinações exigidas pelo empregador quanto ao procedimento operacional padrão, assim como exercer o direito de recusa, sempre que for identificado um risco não controlado durante o preenchimento da APR ( análise preliminar de risco).

Para trabalhos com energia elétrica realizados em altura, algumas das sugestões abaixo podem auxiliar o trabalhador na manutenção da sua segurança e de sua equipe.

1. É obrigatório o uso do cinto de segurança e do capacete com jugular;
2. Ferramentas e equipamentos nunca devem ser arremessados;
3. Os equipamentos de proteção individual, fornecidos pelo empregador, devem ser inspecionados pelo trabalhador, quando do recebimento e apenas devem ser utilizados se estiverem em condições para tal.

Caso seja inevitável a utilização de andaimes tubulares próximo à rede elétrica, estes devem respeitar as distâncias de segurança estabelecidas, assim como seguir as orientações da NR18, item 18.15. Algumas orientações merecem destaque, como: os andaimes devem estar devidamente aterrados; ter estais a partir de três metros e a cada cinco metros de altura; ter guarda corpo de 90 centímetros de altura em todo o perímetro; as tábuas da plataforma devem
ter no mínimo uma polegada de espessura, devem estar bem fixadas e nunca ultrapassar o andaime.
Quanto à utilização de escadas, quando se fizer necessário, o eletricista deve utilizar escadas de material isolante, as mais comuns são as de madeira e as de fibra de vidro. A escada deve ser amarrada e, na impossibilidade de amarrá-la, um trabalhador deve segurá-la para que o outro execute a atividade; deve ser inspecionada visualmente antes da utilização, com a finalidade de evitar acidentes com degrau solto ou escorregadio; ao subir ou descer as escadas
o trabalhador deve se manter de frente para ela e segurar firmemente o montante; deve-se manusear a escada com luvas com a finalidade de evitar pequenos cortes ou perfuração por lascas de madeira; ao atravessar vias públicas a escada deve estar paralela ao meio-fio

Ambientes Confinados

De acordo com a definição da NR-33, item 33.1.2 espaço confinado é qualquer área ou ambiente não projetado para ocupação humana contínua, que possui meios limitados de entrada e saída, cuja ventilação existente é insuficiente para remover contaminantes ou onde possa existir a deficiência ou enriquecimento de oxigênio. Nas atividades em ambientes confinados os trabalhadores estão expostos a riscos de asfixia, explosão e intoxicação, entre outros. De acordo com a NR-33 todos os trabalhadores autorizados, vigias e supervisores de entrada devem receber capacitação periódica para estas atividades. Alguns cuidados merecem destaque: a cada grupo de 20 trabalhadores, pelo menos
dois devem estar treinados para resgate; sinalização com informação clara e permanente durante a realização de trabalhos no interior de espaços confinados; monitoramento permanente de substância que cause asfixia, explosão ou intoxicação.

Áreas Classificadas

De acordo com a definição da NR-10, disponível no glossário dessa norma, área classificada é o local com potencialidade de ocorrência de atmosfera explosiva. São considerados ambientes de alto risco, tais ambientes são também chamados de explosivos e são subdivididos; conforme norma internacional IEC79-10.

Os equipamentos utilizados nesses ambientes devem funcionar normalmente, mesmo com as restrições impostas pelo ambiente explosivo; os equipamentos, assim como os cabos e condutores de alimentação elétrica devem ser certificados por um organismo de certificação, credenciado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial −Inmetro.

O limite de uma área classificada é onde os gases inflamáveis já estarão tão diluídos ou dispersos, que não poderão apresentar perigo de explosão. A IEC79-10 classifica os ambientes explosivos em zonas 0, 1 e 2, sendo a zona 0 a de maior risco e a zona 2 a de menor.

Como citado anteriormente os equipamentos utilizados em áreas classificadas, devem funcionar normalmente, mesmo com as condições impostas pelo ambiente. O maior cuidado para com esses equipamentos é quanto a temperatura que eles podem atingir em condições normais ou não de funcionamento, pois se a atmosfera é explosiva e o equipamento atinge temperaturas muito altas pode haver uma explosão ou combustão em função disso. A
classificação dos equipamentos respeita a EN50.014.

Em um equipamento classificado pela EN50.014 como T3, a temperatura superficial pode chegar a 200ºC, logo, equipamentos T3 podem ser utilizados em áreas explosivas onde os gases tenham temperatura de combustão superior a 200ºC, caso contrário pode ocorrer uma explosão em função do aquecimento de equipamentos.
A maioria das formas de minimizar os riscos no trabalho em áreas classificadas se dá durante a fase de planejamento, que antecede a fase de implantação, entretanto, não merece menor atenção, o treinamento adequado dos trabalhadores que atuam em tal área.

Condições Atmosféricas

Umidade

Os trabalhos com equipamentos energizados devem ser iniciados apenas sob boas condições meteorológicas, não é recomendado trabalho sob chuva, neblina ou ventos fortes. A umidade do ar quando excessiva diminui a capacidade dele como isolante elétrico, tornando-o um meio propício para a condução de corrente elétrica, o que aumenta o risco de acidentes com eletricidade.

Além disso, equipamentos que utilizam o óleo como isolante; não podem ser abertos em
condições de umidade excessiva, pois a umidade do ar em contato com o óleo pode diminuir a
capacidade de isolação elétrica do óleo.

Descargas atmosféricas (raios)

Os raios nada mais são do que a passagem de corrente elétrica da nuvem, com maior potencial elétrico, para a terra com menor potencial, essa trajetória é ramificada e aleatória e ocorre em condições específicas de umidade, temperatura e pressão. Quando o primeiro raio percorre o trajeto, o ar se torna ionizado e abre caminho para passagem de ondas que podem atingir até 20.000 ampères, o ar em volta desse trajeto se expande e uma onda de ar quente de até 30.000°C é gerada.

A expansão do ar cria um barulho, que chamamos de trovão. Os elétrons que foram movidos da molécula de ar retornam criando o efeito que conhecemos como relâmpago. Essas descargas atmosféricas podem ocorrer entre nuvem e terra, terra e nuvem ou entre nuvens. As instalações elétricas devem contar com um sistema de proteção contra descargas atmosféricas, conhecido pela sigla SPD, −, Esse sistema é relativamente de simples entendimento, entretanto, seu projeto envolve muitas variáveis.

Para que o sistema de proteção contra descargas atmosféricas seja eficiente ele deve seguir as orientações da NBR-5419. O conceito de para-raios, que é o princípio de um SPDA, é simples, foi desenvolvido por Benjamin Franklin, no século XVIII e consiste basicamente em atrair o raio e guiá-lo com segurança para a terra. São muitos os modelos de para-raios.

Os principais componentes de um sistema de proteção contra descargas atmosféricas são: terminais aéreos (conhecidos como para-raios, são hastes montadas no ponto mais alto da edificação); condutores de descida (são os cabos que conectam os terminais aéreos aos terminais de aterramento); terminais de aterramento (hastes enterradas no solo); condutores de ligação equipotencial ( condutor que interliga todas as partes metálicas da edificação,
aterramentos de equipamentos, estruturas, SPDA, para que não exista diferença de potencial entre elas); supressores de surto, varistores, para-raios de linha, centelhados (instalados no ponto de entrada para proteger os equipamentos de sobretensões transitórias.

A proteção que conhecemos hoje para descargas atmosféricas minimiza os danos causados pelos raios, mas de forma nenhuma evita que eles ocorram. Os raios são completamente imprevisíveis, não conseguimos prever onde nem quando eles podem cair, e muito menos os danos que irão causar. No caso de tempestades com raios, alguns cuidados devem ser tomados como: não ficar próximo a rede elétrica ou a equipamentos elétricos, não permanecer em locais perigosos, como lugares altos, debaixo de árvores ou em áreas descampadas.

Quanto a interferência dos raios na rede elétrica, uma grande preocupação é a transitória. Essas sobretensões podem ocorrer na rede elétrica, de telecomunicação, TV a cabo, redes de transmissão de dados, antenas parabólicas, etc.
A sobretensão ocorre tanto por descargas diretas, quando o raio atinge diretamente uma rede elétrica ou telefônica ou por descargas indiretas, quando um raio cai a uma distância de 1 km da rede elétrica e acontece um acoplamento eletromagnético entre a rede elétrica e a energia do raio.

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Você sabe o que é necessário para o trabalho em altura ? Leia nosso Guia completo NR35 E TRABALHO EM ALTURA. 

 

Escrito por: Marlon Pascoal Pinto

Instrutor de Normas Regulamentadoras
Engenheiro Eletricista/Segurança do Trabalho
Crea: 172.438/D MG

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