Funções, sinais vitais e de apoio

Para o atendimento de primeiros socorros é importante que o socorrista conheça as funções básicas do corpo e os sinais vitais. Esse conhecimento serve como base para determinar o estado do acidentado e auxilia no cuidado decorrente no atendimento.

Funções Vitais

As funções do cérebro e do coração são vitais para que o ser humano permaneça vivo. Esses órgãos possibilitam o funcionamento de todas as funções do corpo, são percorridos pelos capilares, vasos sanguíneos em contato direto com o sangue arterial e, por isso, ricos em nutrientes e oxigênio. No corpo humano o sangue arterial é rico em nutrientes e oxigênio e o venoso transporta gás carbônico e catabólitos.

Diversos órgãos são responsáveis por tratar e manter o sangue com as características necessárias para a vida:

– Os rins auxiliam no equilíbrio hidroeletrolítico do corpo e na eliminação de substâncias tóxicas.
– O aparelho digestivo leva para o sangue substrato orgânicos, agentes metabólicos e vitaminas.
– O fígado sintetiza e modifica a composição do sangue, auxiliando também na excreção de substâncias tóxicas.
– O pulmão fornece oxigênio e remove os gases resultantes da respiração.
– O coração bombeia o sangue pelo corpo possibilitando sua chegada a todos os órgãos.

As funções vitais do corpo são controladas pelo Sistema Nervoso Central – SNC, composto por células especializadas, organizadas e de algo grau de complexidade. Esse órgão é muito sensível à falta de oxigênio, provocando alterações funcionais. É importante saber que a hipóxia (falta de ar) prolongada acarreta na morte do SNC em aproximadamente três minutos e, em consequência, a falência geral dos órgãos do corpo.

Sinais Vitais

Os sinais vitais são indicações que o corpo dá da existência de vida, são reflexos ou indícios que auxiliam na percepção sobre o estado de uma pessoa. Na ausência de algum desses sinais é importante pensar na possibilidade de alterações nas funções vitais do corpo. Os sinais que precisam ser de conhecimento do socorrista são:

– Temperatura corporal
– Pulso
– Respiração
– Pressão arterial

Temperatura corporal

A temperatura média do corpo varia entre 35,9 e 37,2° C, ela resulta do equilíbrio térmico mantido entre o ganho e a perda de calor pelo organismo, diversos órgãos atuam nesse equilíbrio. A temperatura constata a existência de atividade metabólica, uma vez que o calor obtido nessas reações se propaga pelo corpo e pelo sangue. A temperatura do corpo varia de acordo com a atividade exercida e fatores fisiológicos: digestão, exercícios, temperatura ambiental etc. Febre alta e prolongada pode levar a pessoa a lesões cerebrais irreversíveis. Temperatura baixa do corpo pode acontecer após depressão da função circulatória ou no estado de choque.

A queda da temperatura do corpo, a perda de calor, acontece através e diversos processos. Na eliminação, através das fezes, urina, respiração; na evaporação, na transpiração por meio da pele; pela condução, na troca de calor entre o sangue e o ambiente, quanto maior a quantidade de sangue circulando sob a pele, maior é a troca de calor com o meio.

Febre

A febre é caracterizada pela elevação da temperatura do corpo acima da média normal, ocorro quando a perda de calor é menor que o ganho, diversas doenças podem afetar o hipotálamo e perturbar a regulação térmica do corpo. Por isso, a febre deve ser compreendida como um sinal do organismo.

Pessoas com febre apresentam os sintomas:

– Perda de apetite
– Mal estar
– Pulso rápido
– Sudorese
– Temperatura acima de 40° C
– Respiração rápida
– Hiperemia da pele
– Calafrios
– Dor de cabeça

Para amenizar a febre podem ser aplicadas compressas úmidas na testa, cabeça, pescoço, axilas e virilhas, áreas por onde passam grandes vãos sanguíneos, ou utilizar compressas frias em grandes estruturas vasculares e adultos podem ser submetidos a banhos frios. Drogas que reduzem a febre só podem ser usadas após o diagnóstico da causa.

Pulso

O pulso que sentimos ao pressionar uma das artérias é a onda de distensão de uma artéria transmitida pela pressão que o coração exerce sobre o sangue. A onda se repete com regularidade, segundo as batidas do coração. A temperatura do corpo e a frequência do pulso apresentam uma relação direta: exceto em algumas febres, para cada grau de aumento da temperatura existe um aumento de cerca de 10 pulsações por minuto.

Alterações no fluxo sanguíneo levam a variações na frequência cardíaca. Algumas causas fisiológicas aumentam o batimento cardíaco, em situações de desmaio as pulsações diminuem.

Para sentir o pulso:

– Procurar acomodar o braço do acidentado em posição relaxada.
– Usar o dedo indicador, médio e anular sobre a artéria escolhida para sentir o pulso, fazendo uma leve.
– Não usar o polegar para não correr o risco de sentir suas próprias pulsações.
– Contar no relógio as pulsações num período de 60 segundos. Neste período deve-se procurar observar a regularidade, a tensão, o volume e a frequência do pulso.
– Existem no corpo vários locais onde é possível sentir a pulsação.

Respiração

Através da respiração obtemos oxigênio e expelimos o gás carbônico do corpo. A respiração é controlada pelo sistema nervoso central e acontece de maneira involuntária e automática, não precisamos pensar em respirar. Além disso, a respiração auxilia no controle térmico do corpo.

A identificação da situação respiratória é uma conduta básica nos primeiros socorros. Diversas doenças, problemas clínicos e acidentes alteram o processo respiratório. Além disso, secreções, vômito, edemas e até mesmo a língua podem obstruir as vias aéreas, se prolongada à asfixia causada pela obstrução pode levar a uma parada cardiorrespiratória.

A frequência respiratória é dada pelo número de vezes que é realizado o ciclo da inspiração e expiração por minuto. Um homem adulto em média realiza entre 14 e 20 ciclos respiratórios e uma mulher entre 16 e 22 ciclos, já uma criança nos primeiros meses de vida tem entre 40 e 50 ciclos.

Pressão Arterial

A pressão arterial é a pressão do sangue, que dependa da força de contração do coração, do grau de distensibilidade do sistema arterial, da quantidade de sangue e da viscosidade.

A pressão arterial varia conforme a idade, em um adulto normal a pressão arterial varia da seguinte forma:

– Pressão arterial máxima ou sistólica: de 100 a 140 mm Hg (milímetros de mercúrio)
– Pressão arterial mínima ou diastólica: de 60 a 90 mm Hg

Pessoas com pressão alta sofrem de hipertensão e tem a pressão mínima acima de 95 mm Hg e a máxima acima de 160 mm Hg. A pressão muito baixa é quando a pressão mínima chega a baixar de 80 mm Hg. Uma pessoa com hipertensão deve ser mantida com a cabeça elevada, ser acalmada e reduzir a ingestão de líquidos e de sal, ficando sob observação até a chegada do médico. O hipotenso deve ingerir líquidos com pitadas de sal e ficar deitado.

Sinais de Apoio

Os sinais de apoio são emitidos devido ao estado de funcionamento dos órgãos vitais. Eles podem ser alterados em casos de hemorragia, parada cardíaca ou um forte trauma na cabeça, dentre diversos outros acidentes. Devem ser analisados junto aos sinais vitais e tendem a piorar conforte o declínio do estado de saúde. Os principais sinais de apoio são:

– Dilatação e reatividade das pupilas
– Cor e umidade da pele
– Estado de consciência
– Motilidade e Sensibilidade do corpo

Dilatação e Reatividade das Pupilas

A pupila é uma pequena abertura no centro da íris – a parte colorida do olho -, ela controla a passagem de luz pelo olho que é responsável pela formação das imagens que vemos. Quando exposta a luz ela se contrai e quando há pouca ou nenhuma luz ela se dilata.

Se a pupila de uma pessoa se apresenta totalmente dilatada, pode significar que o cérebro não está recebendo oxigênio, exceto no uso de colírios midriáticos ou alguns envenenamentos. A dilatação e a reatividade das pupilas são sinais de apoio importantes, diversas alterações no organismo têm efeitos sobre elas. As pupilas devem ser observadas contra a luz de uma fonte lateral ou a luz ambiente, preferencialmente em ambiente escurecido.

Cor e umidade da Pele

O estado geral de um acidentado pode ser identificado pela cor e pela umidade da pele. Uma pessoa pode apresentar pele pálida, cianosada (azulada) ou hiperamiada (avermelhada e quente), além disso, a pele pode ficar úmida e pegajosa. As alterações na tonalidade da pele devem ser observadas na face e nas extremidades dos membros, onde alterações manifestam-se primeiro, em relação à umidade além desses pontos deve se ter atenção ao antebraço e a barriga da pessoa.

Estado de Consciência

Em estado de consciência plena as pessoas tem nível de lucidez que lhes permite perceber normalmente o ambiente ao redor e com os sentidos saudáveis e alertas aos estímulos sensoriais. Pessoas que conseguem dizer sobre seu estado físico e psicológico de forma clara, normalmente tem consciência plena, já quando se observa sinais de apreensão excessiva, olhar assustado, medo, dentre outros, o estado está alterado. A inconsciência pode acontecer por desmaios, estado de choque, coma, convulsões, parada cardíaca ou respiratória, intoxicação por drogas dentre diversas outras situações.

Motilidade e Sensibilidade do Corpo

Identificar se uma pessoa consegue mover e sentir partes do corpo é uma forma importante de identificar sinais do corpo que podem dar ao socorrista muitas informações. A incapacidade de realizar movimentos pode ser devido à paralisia da área, lesões nos nervos ou membros e mesmo na medula espinhal. Desvios na face, na região dos lábios, podem acontecer devido a lesões cerebrais ou a nervos labiais.

Em situações de perca do movimento, geralmente também há a perda da sensibilidade local, além disso, movimento pode ainda existir, mas existir uma dormência ou formigamento nas extremidades. Essas duas situações podem representar a existência de danos na medula espinhal. Acidentados que após alto consumo de drogas podem não sentir dor por várias horas.

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