Alerta sobre perigos da corrente de curto-circuito

Aos Construtores, Arquitetos e Projetistas sobre os Perigos da Corrente de Curto-Circuito muito alta nas instalações elétricas!

Nos últimos anos, verificamos que os grandes empreendimentos comerciais e residenciais necessitam de uma demanda de energia cada vez mais elevada. Essas situações tem exigido subestações de grande porte, fazendo a demanda de energia dos empreendimentos sair dos antigos kVAs e entrar na escala dos MVAs.

Este aumento é consequência direta dos novos hábitos da sociedade, como o uso de ar condicionado, aparelhos eletrodomésticos de alto consumo, normas técnicas mais exigentes e também das enormes dimensões físicas dos empreendimentos.

Construtores e arquitetos vem apostando fortemente neste novo conceito, mesmo tendo a consciência de que seus projetos precisarão de uma grande quantidade de energia para serem viabilizados.

Na execução dos projetos arquitetônicos, estes profissionais definem detalhadamente todos os espaços físicos, inclusive os espaços destinados as subestações elétricas, onde serão colocados os equipamentos de transformação e proteção das instalações elétricas. Os projetistas de “instalações prediais” ficam com a responsabilidade do dimensionamento exato desta demanda e também de checar antes do início da obra se os espaços físicos pré-definidos pelo arquiteto, são suficientes para acomodar todos os equipamentos elétricos necessários para obter boa qualidade da energia elétrica, bem como garantir a segurança futura para os trabalhadores do setor elétrico, conforme determina a NR-10.

É sabido por todos que quanto maior a demanda de um empreendimento, maior será o espaço físico necessário para abrigar os vários transformadores de energia e equipamentos de proteção exigidos pela instalação.

Todos os profissionais do setor elétrico tem consciência de que em qualquer instalação elétrica, o parâmetro “ICC” (Corrente de Curto-Circuito) é determinante para o dimensionamento correto e seguro das instalações. A corrente de curto-circuito em baixa tensão é predominantemente definida pela potência do transformador. Quanto maior um transformador, maior será a corrente de curto-circuito da instalação. Para manter a corrente de curto-circuito em níveis normais e seguros é preciso colocar vários transformadores menores e independentes e, se necessário, geradores também independentes.

Para que o projetista possa ter esta opção e fazer um correto dimensionamento destes transformadores, é necessário que o construtor tenha deixado espaço suficiente para isto. É importante que estes espaços físicos para locação das subestações sejam definidos de forma rápida entre os projetistas e os arquitetos, para não causar transtornos de última hora na arquitetura final do empreendimento.

Depois de 20 anos de experiência trabalhando com proteção elétrica de baixa tensão, me preocupo em pensar se já estou “neurótico” com este tipo de problema. Para me certificar melhor sobre esse assunto, pesquisei o que os estudantes estão aprendendo nas escolas técnicas especializadas. Vejam o parágrafo abaixo retirado de aulas da Escola Técnica do CEFET – MG ( Ano de 2012/2013 ) fornecida para os alunos do “Primeiro Ano” do curso de Eletrotécnica básica, na apostila da disciplina de “Materiais e Equipamentos Elétricos”:

“O projetista deve limitar o nível de curto circuito ao valor mais baixo possível e que seja compatível com os equipamentos normalmente disponíveis no mercado para reduzir os custos, porque o nível de curto circuito elevado não oferece vantagem técnica que compense o encarecimento da instalação.”

De certa forma, foi um alívio constatar que não estou sozinho na afirmação de que a ICC é um parâmetro importante da instalação. Neste parágrafo poderíamos acrescer o item “Segurança” , que ainda vejo como mais importante do que o custo!

Sendo assim, todo projeto deveria vir com a definição clara desta corrente para todos os quadros elétricos. É com esta informação que o fabricante de quadros elétricos faz a verificação sobre a especificação correta dos disjuntores de proteção dos circuitos.

Vale lembrar que uma instalação com uma corrente de curto-circuito muita elevada torna uma instalação com alto risco de acidentes graves e ainda terá um alto poder de destruição em caso de um arco elétrico.

(É importante saber que a temperatura de um arco elétrico é em torno de 20.000ºC, três vezes maior do que a temperatura do sol; podendo derreter qualquer aço ou concreto existente na obra em segundos). Para fazer a proteção adequada de uma instalação deste tipo, temos que utilizar disjuntores especiais, (normalmente são importados e de fabricação sob encomenda) de difícil reposição, alto custo, com seu desempenho e atuação sujeitos a altas tecnologias diminuindo assim a confiabilidade da proteção e da segurança como um todo.

É neste ponto que pedimos à atenção dos projetistas e de todos os profissionais envolvidos, especialmente os arquitetos.

Nos últimos anos, vem crescendo muito o número de projetos que têm chegado a nossa empresa vindos de todo o Brasil, com características de alta corrente de curto-circuito. Em alguns casos não temos no mercado disjuntores capazes de fazer tal proteção. Percebemos que nos últimos 02 anos, a situação tem se agravado, com as construções de vários hospitais públicos e particulares com essas características. Provavelmente o profissional de manutenção não será uma mão de obra devidamente capacitada para trabalhar nessas condições especiais.

Devido à nossa cultura de não nos preocuparmos com a segurança em eletricidade, uma instalação elétrica com uma corrente de curto-circuito alta ao longo de toda sua vida útil poderá aumentar as tristes estatísticas de acidentes com eletricidade no Brasil.

Não deveríamos instalar em prédios residenciais e comerciais instalações com transformadores individuais acima de 750KVA ou com mais de 02 transformadores de 500KVAs em paralelo. Nos casos de grandes demandas, poderia usar várias subestações numa mesma obra, diminuindo a potência dos transformadores e simplificando muito as instalações neste quesito. Os transformadores acima de 750 KVA, ou seja, de “grande porte” deveriam ficar restritos à indústria, onde as vezes são realmente necessários e há mão de obra mais especializada na operação e manutenção dessas instalações.

É claro que, com a colocação de vários transformadores independentes, será necessário gastar mais área destinada às subestações.

Acredito que em um empreendimento com milhares de m², não será este espaço destinado a uma boa subestação que inviabilizará o empreendimento. Será apenas uma questão de bom senso e o real comprometimento com a segurança dos profissionais envolvidos.

A solução desse tipo de problema é a essência da Engenharia. É com a troca de ideias entre vários profissionais e de diversos setores (Instalações /Arquitetura / Concessionárias ) que se chega à melhor solução, para tornar um projeto viável economicamente e ao mesmo tempo sustentável. Não podemos esquecer de colocar neste contexto a ética profissional.Devido à gravidade do tema, todos os profissionais do setor elétrico deveriam dar uma ênfase nos riscos inerentes às instalações com alta corrente de curto-circuito, informando seus clientes sobre todos os detalhes. Cientes dessa situação, com certeza nenhum arquiteto ou empreendedor responsável vai querer economizar em áreas destinadas às instalações e subestações.

As concessionárias de energia, inclusive a CEMIG também poderiam dar uma maior atenção a esse assunto. O que acontece hoje na prática, é que as concessionárias determinam as câmaras subterrâneas com transformadores de grande porte ou vários transformadores em paralelos, o que gera uma alta corrente de curto-circuito nas instalações de baixa tensão. Assim elas repassam este risco para o consumidor final, o que obriga os projetistas a seguirem este parâmetro na execução dos seus projetos. A colocação de disjuntores fora da faixa da capacidade de ruptura ideal é como se não existisse a proteção. Em caso de uma falha como um curto-circuito, o disjuntor não desliga, o disjuntor estoura e pode pegar fogo ! Além do risco, a CEMIG ainda tem o custo de trocar o disjuntor, quando o problema ocorre antes da medição.

Em síntese, sugiro instalações mais simples e mais econômicas. Otimizando os custos, podemos trazer mais sofisticação e tecnologia para as instalações elétricas, sem onerar o custo das obras. Precisamos de instalações melhores e com mais componentes de supervisão, assim evitaremos imprevistos, acidentes e minimizaremos os riscos elétricos das instalações. Especificando geradores menores, estaremos diminuindo a poluição das cidades e do planeta, além de reduzir drasticamente os custos de manutenção destes equipamentos.

Ressalto a importância de adquirir bons quadros elétricos mesmo em instalações com baixo ICC, uma vez que são estes equipamentos os responsáveis pela inteligência e a proteção total das instalações elétricas.

Devido as últimas grandes tragédias, vimos que não é uma atitude inteligente do construtor reduzir a segurança nas instalações para economizar no custo da obra.

O objetivo desse texto é propor aos profissionais do setor elétrico e da construção civil a reflexão sobre o assunto, para transformar os empreendimentos em verdadeiros “Prédios Inteligentes”. Fonte: www.abracopel.org Engehall, o melhor curso NR10 Online do Brasil.

*Fonte: http://goo.gl/tx4d6S

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